NIETZSCHE: “SOBRE VERDADE E MENTIRA NO SENTIDO EXTRA-MORAL” (1873) [TEXTO COMPLETO / DOWNLOAD E-BOOK]

NietzscheNietzsche. Sobre verdade e mentira. Hedra, 2008, 94 pgs. Trad. de Fernando de Moraes Barros.

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VERDADE E MENTIRA NO SENTIDO EXTRAMORAL

1

“No desvio de algum rincão do universo inundado pelo fogo de inumeráveis sistemas solares, houve uma vez um planeta no qual os animais inteligentes inventaram o conhecimento. Este foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da história universal, mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram de morrer. Esta é a fábula que se poderia inventar, sem com isso chegar a iluminar suficientemente o aspecto lamentável, frágil e fugidio, o aspecto vão e arbitrário dessa exceção que constitui o intelecto humano no seio da natureza. Eternidades passaram sem que ele existisse; e se ele desaparecesse novamente, nada se teria passado; pois não há para tal intelecto uma missão que ultrapasse o quadro de uma vida humana. Ao contrário, ele é humano e somente seu possuidor e criador o trata com tanta paixão, como se ele fosse o eixo em torno do qual girasse o mundo.Se pudéssemos entender a mosca, perceberíamos que ela navega no ar animada por essa mesma paixão e sentindo em si que voar é o centro do mundo.

Nada há de tão desprezível e de tão insignificante na natureza que não transborde como um odre ao menor sopro dessa força do conhecer, e assim como todo carregador quer também ter o seu admirador, o homem mais arrogante, o filósofo, imagina ter também os olhos do universo focalizados, como um telescópio, sobre suas obras e seus pensamentos. É admirável que o intelecto seja responsável por esta situação, ele a quem todavia não foi dado senão servir precisamente como auxiliar dos seres mais desfavorecidos, mais vulneráveis e mais efêmeros, a fim de mantê-los na vida pelo espaço de um minuto de existência da qual eles teriam todo o direito de fugir, tão rapidamente como o filho de Lessing, não fosse esta ajuda recebida. Este orgulho ligado ao conhecimento e à percepção, névoa que cega o olhar e os sentidos do homem, engana-os sobre o valor da existência, exatamente quando vem acompanhada da avaliação mais lisonjeira possível com relação ao conhecimento. O seu efeito mais comum é a ilusão; mas seus efeitos mais particulares implicam também qualquer coisa da mesma ordem. O intelecto, enquanto meio de conservação do indivíduo, desenvolve o essencial de suas forças na dissimulação, pois esta é o meio de conservação dos indivíduos mais fracos e menos robustos, na medida em que lhe é impossível enfrentar uma luta pela existência munidos de chifres ou das poderosas mandíbulas dos animais carnívoros.

É no homem que esta arte da dissimulação atinge o seu ponto culminante: a ilusão, a lisonja, a mentira e o engano, a calúnia, a ostentação, o fato de desviar a vida por um brilho emprestado e de usar máscaras, o véu da convenção, o fato de brincar de comediante diante dos outros e de si mesmo, em suma, o gracejo perpétuo que em todo lugar goza unicamente com o amor da vaidade, são nele a tal ponto a regra e a lei, que quase nada é mais inconcebível do que o aparecimento, nos homens, de um instinto de verdade honesto e puro.

Eles estão profundamente mergulhados nas ilusões e nos sonhos, seu olhar somente desliza sobre a superfície das coisas e vê apenas as formas, sua percepção não leva de maneira nenhuma à verdade, mas se limita a receber as excitações e a andar como que às cegas no dorso das coisas. Além disso, durante a vida toda, o homem se deixa enganar à noite pelos sonhos, sem que jamais o seu sentido moral procure impedi-lo disso, embora deva haver homens que, por força da vontade, tiveram sucesso em se livrar do ronco.

Mas o que sabe o homem, na verdade, de si mesmo? E ainda, seria ele sequer capaz de se perceber a si próprio, totalmente de boa-fé, como se estivesse exposto numa vitrine iluminada? A natureza não lhe dissimula a maior parte das coisas, mesmo no que concerne a seu próprio corpo, a fim de mantê-lo prisioneiro de uma consciência soberba e enganadora, afastado das tortuosidades dos intestinos, afastado do curso precipitado do sangue nas veias e do complexo jogo de vibrações das fibras? Ela atirou fora a chave; e infeliz da curiosidade fatal que chegar um dia a entrever por uma fresta o que há fora desta cela que é a consciência e aquilo sobre o que ela está assentada, e descobrir então que o homem repousa, a despeito da sua ignorância, sobre um fundo impiedoso, ávido, insaciável e mortífero, agarrado a seus sonhos assim como ao dorso de um tigre. Nessas condições, haveria no mundo um lugar de onde pudesse surgir o instinto de verdade?

No estado de natureza, na medida em que o indivíduo quer conservar-se diante dos outros indivíduos, ele não utiliza sua inteligência o mais das vezes senão com fins de dissimulação. Mas, na medida em que o homem, ao mesmo tempo por necessidade e por tédio, quer viver em sociedade e no rebanho, necessário lhe é concluir a paz e, de acordo com este tratado, fazer de modo tal que pelo menos o aspecto mais brutal do bellum omnium contra omnes desapareça do seu mundo. Ora, este tratado de paz fornece algo como um primeiro passo em vista de tal enigmático instinto de verdade. De fato, aquilo que daqui em diante deve ser a verdade é então fixado, quer dizer, é descoberta uma designação uniformemente válida e obrigatória das coisas, e a legislação da linguagem vai agora fornecer também as primeiras leis da verdade, pois, nesta ocasião e pela primeira vez, aparece uma oposição entre verdade e mentira.

O mentiroso utiliza as designações pertinentes, as palavras, para fazer parecer real o que é irreal; ele diz por exemplo: eu sou rico, ainda que, para qualificar sua condição, fosse justamente a palavra pobre a designação mais correta. Ele mede as convenções estabelecidas, operando substituições arbitrárias ou mesmo invertendo os nomes. Se age assim de maneira interessada e demasiadamente prejudicial, a sociedade não lhe dará mais crédito e, por causa disso, o excluirá. Nesse caso, os homens fogem menos da mentira do que do prejuízo provocado por uma mentira. Fundamentalmente, não detestam tanto as ilusões, mas as conseqüências deploráveis e nefastas de certos tipos de ilusão. É apenas nesse sentido restrito que o homem quer a verdade. Deseja os resultados favoráveis da verdade, aqueles que conservam a vida; mas é indiferente diante do conhecimento puro e sem conseqüência, e é mesmo hostil para com as verdades que podem ser prejudiciais e destrutivas.

Mas, por outro lado, o que são as convenções da linguagem? São produtos eventuais do conhecimento e do sentido da verdade? Coincidem as coisas e suas designações? É a linguagem a expressão adequada de toda e qualquer realidade? Somente graças à sua capacidade de esquecimento é que o homem pode chegar a imaginar que possui uma verdade no grau que nós queremos justamente indicar. Se ele recusa contentar-se com uma verdade na forma de tautologia, quer dizer, como cascas vazias, ele tomará eternamente ilusões por verdades.

O que é uma palavra? A transposição sonora de uma excitação nervosa. Mas, concluir a partir de uma excitação nervosa uma causa primeira exterior a nós, isso é já até onde chega uma aplicação falsa e injustificável do princípio da razão. Se a verdade tivesse sido o único fator determinante na gênese da linguagem e se o ponto de vista da certeza o fosse quanto às designações, como teríamos então o direito de dizer, por exemplo, que esta pedra é dura, como se conhecêssemos o sentido de duro de outro modo que não fosse apenas uma excitação totalmente subjetiva? Classificamos as coisas segundo os gêneros, designamos l’arbre como masculino e a planta como feminino: que transposições arbitrárias! A que ponto estamos afastados do cânone da certeza!

Falamos de uma serpente: a designação alcança somente o fato de se contorcer, o que poderia convir igualmente ao verme. Que delimitações arbitrárias, que parcialidade é preferir ora uma ora outra propriedade de uma coisa! As diferentes línguas, quando comparadas, mostram que as palavras nunca alcançam a verdade, nem uma expressão adequada; se fosse assim, não haveria efetivamente um número tão grande de línguas. A coisa em si [como sendo precisamente a verdade pura e sem conseqüência], enquanto objeto para aquele que cria uma linguagem, permanece totalmente incompreensível e absolutamente indigna de seus esforços. Esta designa somente as relações entre os homens e as coisas e para exprimi-las ela pede o auxílio das metáforas mais audaciosas.

Transpor uma excitação nervosa numa imagem! Primeira metáfora. A imagem por sua vez é transformada num som! Segunda metáfora. A cada vez, um salto completo de uma esfera para outra completamente diferente e nova. Imaginemos um homem que seja totalmente surdo e que jamais tenha percebido o som e a música: da mesma maneira que ele sem dúvida se espanta com as figuras acústicas de Chladni feitas de areia e descobre sua causa na vibração das cordas, jurará então por esta descoberta que não poderá ignorar daí por diante o que os homens chamam de som, assim como ocorre com todos nós no que concerne à linguagem.

Acreditamos possuir algum saber sobre as coisas propriamente, quando falamos de árvores, cores, neve e flores, mas não temos entretanto aí mais do que metáforas das coisas, as quais não correspondem absolutamente às entidades originais. Assim como o som enquanto figura de areia, também o x enigmático da coisa em si é primeiramente captada como excitação nervosa, depois como imagem, afinal como som articulado. A gênese da linguagem não segue em todos os casos uma via lógica, e o conjunto de materiais que é por conseguinte aquilo sobre o que e com a ajuda de quem o homem da verdade, o pesquisador, o filósofo, trabalha e constrói, se não provém de Sírius, jamais provém em todo caso da essência das coisas.

Pensemos ainda uma vez, particularmente, na formação dos conceitos: toda palavra se torna imediatamente conceito, não na medida em que ela tem necessariamente de dar de algum modo a idéia da experiência original única e absolutamente singular a que deve o seu surgimento, mas quando lhe é necessário aplicar-se simultaneamente a um sem-número de casos mais ou menos semelhantes, ou seja, a casos que jamais são idênticos estritamente falando, portanto a casos totalmente diferentes.

Todo conceito surge da postulação da identidade do não-idêntico. Assim como é evidente que uma folha não é nunca completamente idêntica à outra, é também bastante evidente que o conceito de folha foi formado a partir do abandono arbitrário destas características particulares e do esquecimento daquilo que diferencia um objeto de outro. O conceito faz nascer a idéia de que haveria na natureza, independentemente das folhas particulares, algo como a folha, algo como uma forma primordial, segundo a qual todas as folhas teriam sido tecidas, desenhadas, cortadas, coloridas, pregueadas, pintadas, mas por mãos tão inábeis que nenhum exemplar teria saído tão adequado ou fiel, de modo a ser uma cópia em conformidade com o original.

Dizemos de um homem que ele é honesto; perguntamos a nós mesmos porque ele agiu hoje tão honestamente. Respondemos geralmente que foi por causa da sua honestidade. Honestidade! Isto significa novamente dizer que a folha é a causa das folhas. Não sabemos mesmo absolutamente nada de uma qualidade essencial chamada honestidade, no entanto conhecemos inumeráveis ações individualizadas e por conseguinte dessemelhantes, mas que postulamos como idênticas ao deixarmos de lado o que as torna diferentes; assim, designamos as ações honestas a partir das quais afinal formulamos uma qualitas occulta com o termo: a honestidade.

A omissão do particular e do real nos dá o conceito, assim como nos dá a forma, contrariamente ao que revela a natureza, que não conhece formas ou conceitos e portanto nenhum gênero, mas somente um x para nós inacessível e indefinível. Pois a oposição que introduzimos entre o indivíduo e a espécie é também antropomórfica e não provém da essência das coisas, mesmo quando ousamos dizer que esta oposição não corresponde à essência das coisas; pois isto seria de fato uma afirmação dogmática e, enquanto tal, tão indemonstrável quanto a afirmação contrária.

O que é portanto a verdade? Uma multidão móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos; em resumo, uma soma de relações humanas que foram realçadas, transpostas e ornamentadas pela poesia e pela retórica e que, depois de um longo uso, pareceram estáveis, canônicas e obrigatórias aos olhos de um povo: as verdades são ilusões das quais se esqueceu que são, metáforas gastas que perderam a sua força sensível, moeda que perdeu sua efígie e que não é considerada mais como tal, mas apenas como metal…”

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O EPICURISMO E SUA CURA QUÁDRUPLA (Tetrapharmakos)

Bosch - Jardim das delícias terrenas

H. Bosch – Jardim das delícias terrenas

EPICURO – É POSSÍVEL OBTER PRAZER
Por Rafael Trindade, A Razão Inadequada

Epicuro é um raio de sol que atravessa toda uma nuvem espessa de superstição, medo e insegurança. Sua filosofia não se perde no meio do longo caminho que leva da tristeza do ignorante à sabedoria do filósofo. “É possível obter prazer” é o quarto e último remédio de seu tetrapharmakon, prova de que os filósofos podem ser felizes e realistas ao mesmo tempo.

Depois de neutralizar a cólera dos deuses (veja aqui), zombar da morte (veja aqui) e mostrar a possibilidade de suportar a dor (veja aqui), Epicuro nos mostra o caminho final: a possibilidade de obter prazer. Mas o que é o prazer?

Epicuro faz a distinção em três tipo: naturais necessários, naturais não necessários e não naturais não necessários. Claro, tudo é natureza, mas esta separação nos ajuda a entender que alguns prazeres vêm do corpo, nascem de nossa própria existência e outros são frutos de ilusões e nos são empurrados garganta abaixo.

  • Naturais necessários: sem eles, a harmonia de nosso corpo se desfaz. Os desejos naturais e necessários permitem que o corpo continue afirmando-se na existência. Nós não os desejamos porque são bons, eles são bons porque os desejamos. Água, para não morrer de sede; comida para não morrer de fome; calor; para não morrer de frio.
  • Naturais não necessários: são prazeres, mas não necessários no sentido em que excedem a simples manutenção da existência. Mais do que conservar-se a vida quer o prazer de viver, e ela pode obter isso através da natureza. Faz-se aqui a passagem da existência para uma estética da existência. Mais do que apenas comer, é possível criar a culinária, arte de cozinhar. Mais do que ver, e ouvir, é possível pintar e fazer música, arte das cores e dos sons.
  • Não naturais e não necessários: entramos no terreno das ilusões e da superstição. Aqui nascem os deuses e os demônios. Desejos não naturais e não necessários são aqueles que se descolam cada vez mais da terra e atingem reinos que não existem. Dinheiro, nosso novo deus, fama, glória, santidade. Curtidas no facebook, por que não? Estes objetos são vazios, alienam, nos impedem de atingir uma vida natural e de prazeres. Enfim, causam mais aflição que prazer, o dispêndio de energia para obtê-los não vale o que nos trazem em retorno. Copos sempre meio vazios, estas ilusões são a cenoura na frente do burro, elas conduzem a humanidade em sua longa marcha irracional…

Não precisamos temer os deuses nem a morte, é possível suportar a dor e mais, é possível obter prazer. Como? Para criar estas quatro lições, Epicuro só teve que tomar uma atitude simples, ouvir seu corpo, fazê-lo pensar, obrigá-lo a tomar certas posições em relação a certos problemas. Quando meu corpo está vivo, eu não estou morto, então não preciso me preocupar. Quando sinto dor, posso suportá-la e usá-la para melhor agir no mundo. Quando escuto o que meu corpo tem a dizer, aprendo a selecionar os melhores prazeres. A única felicidade maior que ouvir as lições de Epicuro é segui-las.

EPICURO – DO BOM USO DA DOR
Por Rafael Trindade, A Razão Inadequada

Quando Epicuro diz que é possível suportar a dor, cai em um realismo no qual poucos conduziram-se. Sim, há dor, ela existe no mundo, está para além da teodiceia, os deuses indolentes não estão preocupados com nosso grau de sofrimento. O que fazer com a dor? Antes de mais nada, vemos uma proposição negativa: não é possível negá-la, segundo: é possível suportá-la.

Não há pecado original, não há complexo de Édipo, não há más energias dos astros… simplesmente o mundo é feito de prazeres e dores; e para viver nele, é preciso saber procurar o prazer e evitar a dor. Epicuro submete a dor à sabedoria do tetrapharmakon, negá-la seria inútil, então procura entendê-la para melhor lidar com ela.

A dor é um desarranjo atômico, ela indica que algo está fora do lugar, há uma desarmonia no corpo, simplesmente algo está errado. É preciso entender que a dor é um sinal do corpo para que tome uma atitude, aja. “Tire a mão do fogo“, diz a dor, “Não coma mais isso“, diz o desconforto, “Não relacione-se mais com ele“, diz a tristeza. O sábio não rejeita a dor, ele a recebe de braços abertos, mas atento, precavido, preparado para ouvir seu recado e lidar com os encargos que a dor exige.

Deixamos finalmente o terreno neurótico do certo e do errado, do bem e do mal, e atingimos uma planície filosófica, povoada de, como diz Espinosa, bons e maus encontros. Epicuro não julga nem condena, ele mede os afetos, ele os coloca à sua disposição.

Submeter a dor, sujeitá-la à filosofia, fazer dela uma parte da sabedoria. “Aquilo que não me mata, me torna mais forte” disse Nietzsche, imbuído do espírito epicurista em Crepúsculo dos Ídolos. Este remédio me leva a ter uma relação ética com a dor, como lidar com ela? Em vez de carregar a minha dor como fardo, será que posso utilizá-la como ferramenta? Grandes pensamentos nascem da dor, sua superação é um momento grandioso.

Suportar a dor, não negá-la, não ignorá-la, não jogar para debaixo do tapete, não se utilizar apenas de narcóticos e entorpecentes. Encarar a dor, enfrentá-la, tratá-la com respeito. O sábio Epicuro, em sua busca do prazer, reservou um lugar para a dor, talvez por isso seu tetrapharmakon seja tão eficaz.

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Road to Epic

 The Tetrapharmakos – An Ancient Cure for Modern Problems

November 17th, 2014 by

When it comes to philosophy, I tend to gravitate toward the practical side. While I’m certainly interested in a lot of the more abstract areas it’s the parts of philosophy that I can apply to my life right now in order to improve it that I prefer to focus on.

To that end one piece of the Epicurean school that I think has added a lot to my daily life, or at least my attitudes toward it, is the Tetrapharmakos. Even though it was originally created in the 2nd or 3rd century BCE, the ideas it puts forth are just as applicable today.

What’s the Tetrapharmakos?

The Tetrapharmakos originally referred to a certain combination of ‘medicines’ (wax, pitch, tallow, and resin – not something I’d recommend trying) common in ancient Greek pharmacology. The word means ‘four part drug / cure’ in Greek, and Epicurus took that name for his philosophical version considering it to be a four part cure for healing a person’s emotional maladies instead of their physical ones.

Epicurus’s Tetrapharmakos consists of these four (slightly paraphrased) points:

  1. Don’t fear gods.
  2. Don’t fear death.
  3. Truly good things are easy to get.
  4. Truly bad things don’t last.

Let’s go through these points and take a look at how they’re still applicable today.

Don’t Fear Gods

In Epicurus’s time there was a societal division between Greeks who saw the gods as being literal beings that concerned themselves with the affairs of mortals and those (like Epicurus) who considered the gods to be more abstract concepts describing a state of bliss completely unconcerned with the affairs of humans. His essential argument was that gods are by definition perfect, and a perfect being isn’t going to care if you sacrificed a goat in its temple this week or not.

As noted in my personal philosophy I remain unconvinced there are any gods, or anything supernatural for that matter, in existence. I also remain unconvinced I (or anyone/anything else) has a soul, spirit, or whatever ill-defined word you want to use for that concept.

Why is this important? While it doesn’t always, belief in gods can cause a lot of harm. Furthermore the fear of gods specifically, and the fear of punishment by those gods after death can cause enough psychological harm in people that there are specific organizations out there to help people recover from that damage.

Epicurus believed one of the biggest obstacles to happiness was anxiety, and fear of gods and eternal punishment is a huge source of anxiety in people. Here in the U.S. where Christianity is most prevalent fear of punishment in Hell, both of the individual and their loved ones, can cause real stress. When you realize there’s absolutely no evidence that any of those things are real and that they probably don’t exist, it makes it easy to let go of that fear. It also helps set up the next point.

Don’t Fear Death

It’s part of the human condition to fear death. It’s probably one of the most ever-present and strongest anxieties of all for most people. Obviously for Epicurus, this was a problem since he considered fear and anxiety the biggest obstacle to finding happiness.

Epicurus’s position was that there’s no reason to worry so much about death because when we’re alive death isn’t here yet, and when death comes we no longer exist to experience it. To put it another way reminiscent of something Mark Twain would say centuries later, there can be no ‘unpleasantness’ to non-existence because you have to exist to experience something unpleasant. In the same way that you have no experience of anything before birth, you’ll have no experience of anything after death.

Being dead will be just like the state you were in during the billions of years that came before your birth – non-experiencing non-existence.

We’ve already established that there’s no evidence for any kind of afterlife or existence past death, no punishment or eternal torment to worry about, so there’s nothing there to be worried about.

Why is this important? Being in a state of constant worry about what’s going to happen to you after death can cause all the same kinds of crippling anxiety as the belief in gods we talked about above can. It’s an ever-present, background fear in a lot of people and that directly detracts from their happiness and quality of life. Letting go of this fear makes it easier to be happy.

Does that mean you should be reckless or want to die? Absolutely not. There is definitely harm in death in most cases, even if it’s not to you directly (missed opportunity to do good, emotional or financial harm caused to friends and family, etc.), so seeking death is still generally a bad thing. It just means that there’s no reason to live in constant fear of it. Don’t let the fear of something that is inevitable and not unpleasant in the long term ruin your life and cause actualunpleasantness now.

Truly Good Things Are Easy to Get

Mimicking (and possibly influenced by, though I’m unsure of any evidence supporting it) some of the ideas of Buddhism put forth between the 6th and 4th centuries BCE Epicurus asserted that excessive desires led to more harm than good. By extension of this he claimed the things that are truly ‘good’, those things that will truly make a person happy, are all easy to acquire regardless of your situation.

In general, I agree with this idea. As long as a person keeps their desires in check it’s relatively easy to fulfill the range of Maslow’s hierarchy of needs. Basic shelter, safety, companionship, and self-expression can all be had for relatively little effort by a majority of people.

I will put in a caveat here though that in modern times (and likely even back then, but Epicurus may not have been aware enough of it) situational and economic disparity can make it harder for people to get even the basics they need. I recognize having been born a white male in a middle class family there are certain things I’m susceptible to taking for granted. Accounting for that, there’s still things to gain from this idea.

The first is that your most basic needs, things like food and shelter, are technicallyeasy to get. Now some might take this the wrong way and think the point is that even if you’re living in a cardboard box under a bridge you should be happy with it. I don’t see it that way. To me it’s a dual reminder both to not stress out over the fear of losing material things and to always hold a yardstick to the things I really desire to make sure they’re really important.

Some things are genuinely worth putting a lot of effort into, but it’s easy to stress out over meaningless things unintentionally. Reminding yourself that most truly good things are easy to get also helps encourage you to find peace with what youdo have even if it’s less than what you’re striving for.

Truly Bad Things Don’t Last

This too shall pass.

In general, seriously terrible things tend to be acute whereas the chronic bad is often milder by comparison. This, Epicurus suggested, meant that you shouldn’t fear terrible things happening because they’ll always pass. On the inverse, things that don’t show signs of passing for a long time are likely things which you can find the strength to bear.

Don’t misunderstand this to think Epicurus was suggesting everything gets better in what would likely be the modern sense of the idea. Sometimes the end to that terrible suffering is death. Again, with no afterlife though there’s no need to worry about additional suffering after death – just impartial non-existence. That’s probably not the most comforting thing to everyone, but personally whenever something bad happens it’s always a comfort to me knowing that it won’t last. Recognizing that in a (relatively) short span of time you and everything and everyone you’ve known will be gone makes it easy to let go, and once you let go and stop being bothered by things they tend to get easier to handle.

These four principles probably aren’t going to solve every philosophical or existential problem you’re going to struggle with in your lifetime. Hell, it might not solve any of them, but I know I’ve found a lot of good in them when applied to my attitudes toward life in general. I encourage you to take whatever’s useful and don’t worry about the rest.

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TETRA PHARMAKON

TETRAPHARMAKOS
Cura Quádrupla

The “Four-part” cure (Gr.: tetrapharmakos), of Epicurus was most probably a bare-bones mnemonic guide to the core tenets of Epicurean philosophy. It has been found engraved, inscribed, or embossed on a variety of artifacts from Greece and, more abundantly, Rome and its empire.
Don’t fear god (aphobon o theos)
Don’t worry about death (anypopton o thanatos)
What is good is easy to get (and kai tagathon men eyktêton)
What is terrible is easy to endure (to de deinon eyekkarterêton)

(Inwood and Gerson 1994|tr.)
(Philodemus, PHerc. 1005, 4.9-14)

AS RUAS E A DEMOCRACIA – Uma interpretação das Revoltas de Junho de 2013 com o filósofo Marcos Nobre [VÍDEO COMPLETO + 2 EBOOKS]

MarcosNObre3AS RUAS E A DEMOCRACIA
com o filósofo Marcos Nobre (52 min)

Este programa faz parte do projeto “Ruas em Movimento” – uma parceria do instituto CPFL, Unesp e Observatório da imprensa – e traz a entrevista com o filósofo Marcos Nobre, autor dos livros “Imobilismo em Movimento” e o ebook “Choque de Democracia: Razões da Revolta”. Ao levar milhões de cidadãos a ocuparem as ruas brasileiras, Junho de 2013 tornou-se um novo marco na história do país, um sinal de uma nova etapa da democracia no brasil. Um novo sujeito político entrou em cena, um sujeito que se movimenta e se articula, a despeito da blindagem do governo e do monopólio da mídia tradicional, mostrando uma nova forma de viver a democracia. Para Marcos Nobre, a insatisfação generalizada contra as imperfeições da democracia brasileira que ficou escancarada nas revoltas de junho mostram que é necessário uma reforma política para poder atender a estas demandas.

Marcos Nobre

“CHOQUE DE DEMOCRACIA” – DOWNLOAD EBOOK

MarcosNobre2

“IMOBILISMO EM MOVIMENTO” – DOWNLOAD EBOOK

 

Brasil e seu recorde mundial mais horrendo: 56 mil pessoas morrem violentamente a cada ano

Ilona War on Drugs

“O Brasil, este lindo país, tem o recorde mundial mais feio: somos o campeão, o número um, em violência homicida. Uma em cada dez pessoas mortas ao redor do mundo é brasileira. Isso resulta em mais de 56 mil pessoas morrendo violentamente a cada ano. A maioria delas são jovens garotos negros, mortos a tiro. O Brasil também é um dos maiores consumidores de drogas do mundo, e a “guerra às drogas” tem sido especialmente dolorosa aqui. Cerca de 50% dos homicídios nas ruas brasileiras são relacionados a essa guerra. O mesmo vale para 25% dos presos.”

Quem diz isso é Ilona Szabó de Carvalho em um vídeo visto mais de 800 mil vezes no TED, a plataforma que reúne palestras de personalidades das mais diversas áreas, do mundo todo. Ela sabe do que está falando: desde 2003, quando se envolveu ativamente na campanha pelo desarmamento que mobilizou o país, trabalhando na organização Viva Rio – ela era, aos 24 anos, a coordenadora dos postos de arrecadação de armas de fogo – a moça se mete com os assuntos espinhosos que fazem da segurança pública uma das questões mais complexas dos nossos tempos.”

Leia a reportagem completa e a entrevista com Ilona Szabó na TPM

Assista a palestra TED com mais de 800.000 views:

“O ME! O LIFE!” BY WALT WHITMAN: “the powerful play goes on, and you may contribute a verse.”

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O ME! O LIFE!
BY WALT WHITMAN

Oh me! Oh life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill’d with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew’d,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?

Answer.
That you are here—that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.

Source: Leaves of Grass (1892)

“POR QUE O LEGO É O BRINQUEDO MAIS GENIAL DO MUNDO?” – CARTA SOBRE A FILOSOFIA E A FÍSICA DE DEMÓCRITO (In: “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder)

O artista Nathan Sawaya, que só esculpe usando peças de Lego

O artista Nathan Sawaya, que esculpe suas obras usando peças de Lego

Por que o Lego é o brinquedo mais genial do mundo?

Por Jostein Gaarder em “O Mundo de Sofia”
(Cia das Letras, pg. 56)

O Mundo de Sofia
“Sofia não tinha muita certeza se achava o Lego o brinquedo mais genial do mundo. Havia muitos anos ela não brincava mais com ele. Além disso, ela não conseguia entender o que Lego teria a ver com filosofia. Mas ela era uma aluna obediente. Remexeu o que pôde no maleiro de seu guarda-roupa e acabou achando uma sacola de plástico cheia de peças de Lego de todos os tamanhos e formas. Pela 1ª vez depois de muitos anos ela começou a construir alguma coisa com as peças de plástico. E, enquanto mexia com elas, começou a refletir sobre o que estava fazendo.

É fácil construir coisas com as peças do Lego, pensou. Embora elas sejam de diferentes tamanhos e formas, todas podem ser combinadas entre si. Além disso, elas são inquebráveis. Sofia não conseguia lembrar-se de um dia ter visto uma única peça de Lego quebrada. Todas pareciam tão novas quanto no dia em que as ganhou de presente, há muitos anos. E o mais importante: com as peças de Lego ela podia construir qualquer coisa, depois podia desmontar tudo e então construir outra coisa, completamente diferente.

O que mais se podia exigir de um brinquedo? Sofia chegou à conclusão de que as peças de Lego realmente podiam ser chamadas de o brinquedo mais genial do mundo. Mas ela ainda não tinha entendido o que aquilo tudo tinha a ver com filosofia… No dia seguinte, quando voltou da escola, Sofia encontrou outro envelope amarelo cheio de folhas datilografadas…

“Democritus”, retrato de Hendrik ter Brugghen

A TEORIA ATÔMICA

Que bom poder falar com você novamente, Sofia! Hoje vou lhe contar sobre um dos grandes filósofos da natureza, Demócrito (460 – 370 a.C.). Ele era natural da cidade portuária de Abdera, na costa norte do mar Egeu. Se você conseguiu responder à pergunta sobre as peças de Lego, certamente não terá dificuldade para entender o projeto deste filósofo.

Demócrito concordava com seus antecessores num ponto: as transformações que se podiam observar na natureza não significavam que algo realmente “se transformava”. Ele presumiu, então, que todas as coisas eram constituídas por uma infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas Demócrito deu o nome de átomos.

A palavra “átomo” significa “indivisível”. Para Demócrito era muito importante estabelecer que as unidades constituintes de todas as coisas não podiam ser divididas em unidades ainda menores. Isto porque se os átomos também fossem passíveis de desintegração e pudessem ser divididos em unidades ainda menores, a natureza acabaria por se diluir totalmente. Como uma sopa que vai ficando cada vez mais rala.

Além disso, as “pedrinhas” constituintes da natureza tinham que ser eternas, pois nada pode surgir do nada… Para Demócrito, os átomos eram unidades firmes e sólidas. Só não podiam ser iguais, pois se todos os átomos fossem iguais não haveria explicação para o fato de eles se combinarem para formar de papoulas a oliveiras, do pêlo de um bode ao cabelo humano.

Demócrito achava que existia na natureza uma infinidade de átomos diferentes: alguns arredondados e lisos, outros irregulares e retorcidos. E precisamente porque suas formas eram tão irregulares é que eles podiam ser combinados para dar origem a corpos os mais diversos. Independentemente, porém, do número de átomos e de sua diversidade, todos eles seriam eternos, imutáveis e indivisíveis.

E agora acho que você não tem mais dúvida sobre o que eu queria dizer com as peças de Lego, não é? Elas possuem aproximadamente todas as características que Demócrito descreveu para os átomos. E é exatamente por isso que se prestam tão bem à construção de qualquer coisa. Em primeiro lugar, são indivisíveis. Em segundo, diferem entre si na forma e no tamanho, são compactas e impermeáveis. Além disso, as peças de Lego possuem ganchos e engates, por assim dizer, o que permite que sejam combinadas na construção de todo tipo de figura. Tais ligações podem ser desfeitas para que as mesmas peças possam ser reaproveitadas na construção de novos objetos.

Justamente por possibilitarem seu reaproveitamento é que as peças de Lego se tornaram tão populares. A mesma peça de Lego pode servir hoje para a construção de um carro, amanhã para um castelo. Ainda por cima, podemos dizer que são “eternas”. As crianças de hoje podem brincar com as mesmas pedras que fizeram a diversão de seus pais quando eles ainda eram crianças.

Se um corpo – por exemplo, de uma árvore ou animal – morre e se decompõe, seus átomos se espalham e podem ser reaproveitados para dar origem a outros corpos. (…) Hoje em dia podemos dizer que a teoria atômica de Demócrito estava quase perfeita. Um átomo de hidrogênio presente numa célula da pontinha do meu nariz pode ter pertencido um dia à tromba de um elefante. Um átomo de carbono que está hoje no músculo do meu coração provavelmente esteve um dia na cauda de um dinossauro.

Hoje em dia, porém, a ciência descobriu que os átomos podem ser divididos em partículas ainda menores, as “partículas elementares”: prótons, nêutrons e elétrons. E talvez estas partículas também possam ser divididas em outros, menores ainda. Mas os físicos são unânimes em achar que em alguma parte deve haver um limite para esta divisão. Deve haver as chamadas partículas mínimas, a partir das quais toda a natureza se constrói.

Demócrito não teve acesso aos aparelhos eletrônicos de nossa época. Na verdade, sua única ferramenta foi a razão. Mas a razão não lhe deixou escolha. Se aceitamos que nada pode se transformar, que nada surge do nada e que nada desaparece, então a natureza simplesmente tem de ser composta por pecinhas minúsculas, que se combinam e depois se separam…

As únicas coisas que existem são os átomos e o vácuo, dizia ele. E como ele só acreditava no “material”, nós o chamamos de materialista. Por detrás do movimento dos átomos, portanto, não havia determinada “intenção”. Mas isto não significa que tudo o que acontece é um “acaso”, pois tudo é regido pelas inalteráveis leis da natureza. Demócrito acreditava que tudo o que acontece tem uma causa natural… Conta-se que ele teria dito que preferiria descobrir uma lei natural a se tornar rei da Pérsia.

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LEGO (J. GAARDER)

SAIBA MAIS SOBRE A FILOSOFIA E A FÍSICA DE DEMÓCRITO
(COM COMENTÁRIOS DE ANTONIO VIEIRA… À KARL MARX!)

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SLIDES DAS AULAS DE FILOSOFIA // MAIO DE 2015
NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS (IFG)
Prof. Eduardo Carli de Moraes

TURMAS: Instrumentos Musicais, Mineração, Eletrotécnica, Telecomunicações e Edificações.

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ALGUNS VÍDEOS: