Uma das veias abertas da América Latina: Chile, 11 de Setembro de 1973.

allendeUMA DAS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA

41 anos atrás, ocorria um episódio histórico traumático em nosso continente: no dia 11 de Setembro de 1973, o Chile, que havia vivido 41 anos de regime democrático, sofre um golpe militar; o palácio de La Moneda é bombardeado, o presidente Salvador Allende é morto e um coup d’état instaura a ditadura Pinochet. O tirano (des)governaria o país até ser varrido pelo Plesbiscito de 1988 (cuja crônica cinematográfica brilhante foi filmada por Pablo Larraín e estrela por Gael Garcia Bernal em “No”). O 11 de Setembro de 1973 foi o choque inicial que conduziria o Chile a um dos períodos históricos mais terríveis de sua história: a ditadura Pinochet foi responsável por milhares de mortes, torturas e “desaparecimentos”.

pinochetHoje em dia, já estamos acostumados com a ideia, historicamente muito recente, de que existem crimes contra a humanidade e violações dos direitos humanos, que se manifestam em atos de genocídio e a limpeza étnica, e que devem ser julgados pelo Tribunal Penal Internacional. Porém, isto está longe de funcionar como seria desejável. Como nos lembra muito a propósito Joel Birman: “Se Milosevich, da Sérvia, pôde ser enviado a Haia para responder juridicamente sobre genocídio, Pinochet, o carrasco chileno, foi protegido de maneira espúria, pois evidenciaria, caso fosse julgado, a participação direta dos Estados Unidos no golpe de Estado sangrento que derrubou Allende e enterrou durante décadas a democracia no Chile.” (JOEL BIRMAN, Cadernos Sobre o Mal, Ed. Civilização Brasileira, pg. 130)

Segundo o clássico documentário “A Batalha do Chile” (de Patricio Gúzman), foi de fato ampla e determinante a participação dos EUA, em aliança com as elites oligárquicas chilenas, na instauração de regimes autoritários e fascistas por toda a América Latina (inclusive aqui no Brasil, 1964) – e no Chile não foi diferente. Segundo Guzmán, as Forças Armadas chilenas receberam um auxílio de 45 milhões de dólares do Pentágono, o que equivale a mais de um 1/3 de todo o capital “emprestado” pelos EUA desde a eleição de Allende em 1970. Além disso, mais de 4 mil oficiais do Exército chileno foram treinados pelos Estados Unidos e este mantinha mais de 40 agentes da CIA infiltrados no movimento de oposição à Allende.

Como nos lembra a Naomi Klein no “Doutrina do Choque”, também foi determinante no golpe contra Allende a ação nos bastidores de Milton Friedman, “considerado o economista mais influente do último meio século” (KLEIN: 2007, p. 15), um dos papas da doutrina neoliberal:

naomi“Milton Friedman aprendeu a explorar os choques e as crises de grande porte em meados da década de 1970, quando atuou como conselheiro do ditador chileno, o general Augusto Pinochet. Enquanto os chilenos se encontravam em estado de choque logo após o violento golpe de Estado, o país sofria o trauma de uma severa hiperinflação. Friedman aconselhou Pinochet a impor uma reforma econômica bastante rápida – corte de impostos, livre-comércio, serviços privatizados, corte nos gastos sociais e desregulamentação. (…) Ficou conhecida como ‘a revolução da Escola de Chicago’, pelo fato de que muitos economistas de Pinochet tinham estudado sob a orientação de Friedman na Universidade de Chicago. (…) Desde então, sempre que os governos decidem impor programas radicais de livre mercado, o tratamento de choque [the shock doctrine] tem sido o seu método preferido.” (KLEIN, A Doutrina do Choque, p. 17)

Em uma matéria recente, Cynara Menezes relembra um episódio da vida chilena do começo dos anos 70: a longa visita do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, ao país [http://bit.ly/1edowaC]. Acredito que Fidel, estando bem “antenado” e experenciado em relação às perversidades dos yankees contra os regimes de esquerda da América Latina e Central, já que Cuba havia sofrido muitos ataques (Baía dos Porcos etc.) e bloqueios econômicos, deve ter feito todo o possível para alertar Allende sobre o perigo que seu regime corria. Em 11 de Setembro de 1973, o golpe de Estado foi uma espécie de confirmação dos piores pesadelos de Fidel – e mais um episódio onde ficou provado que o Império não hesita em se utilizar de medidas fascistas para instaurar, à força de bala e com tanques de guerra, o “Livre-Mercado”, para festa das mega-corporações transnacionais e dos produtos made in U.S.A…

O Chile ainda se recupera da terapia de choque que lhe foi infligida por 17 anos pela ditadura Pinochet, que governou “tocando o terror” na população através das “celas de tortura do regime, infligindo choques aos corpos retorcidos daqueles que foram considerados obstáculos à transformação capitalista. Na América Latina, muitos enxergaram uma conexão entre os choques econômicos que empobreceram milhões e a epidemia de tortura que flagelou centenas de milhares de pessoas que acreditavam num tipo diferente de sociedade”. (KLEIN: 2007, p. 17)

O episódio é uma boa demonstração de que a mais recente versão do capitalismo selvagem, o chamado neoliberalismo, antes de ser implantado nos países capitalistas avançados, capitaneado por Tatcher no Reino Unido, Reagan nos EUA e Deng Xiaoping na China – como exposto em minúcia no livro “Neoliberalismo” de David Harvey (2008) – utilizou o Chile como seu “laboratório” experimental.

Salvador Allende, desde sua eleição à presidência em 1970, havia realizado transformações amplas na sociedade chilena, pavimentando o caminho para uma sociedade socialista. Suas ações iam na direção oposta ao que recomendam os cânones neoliberais: ao invés de privatizações e desregulamentações, favoráveis ao lucro de corporações privadas, o governo Allende trabalhou em prol da nacionalização de empresas, minas e terras.

Allende expropriou 15 milhões de hectares de terras que estavam concentradas nas mãos de latifundiários e as redistribuiu. Estatizou todos os bancos e retornou o controle de quase todas as fábricas ao comando dos próprios operários. Defendeu com punho-de-ferro a autonomia do Chile diante dos exploradores estrangeiros, em especial os EUA, que viam com muita desconfiança estas “iniciativas marxistas” que se assemelhavam a muitas instauradas em Cuba após a Revolução de 1959. Allende resistiu no poder por mais de 3 anos, respaldado por apoio popular intenso e imenso. Com frequência massas que superavam 100 mil pessoas tomavam as ruas bradando a uma só voz: “Allende, Allende, el pueblo te defiende!” ou “Allende, tranquilo, o povo está contigo!”

Em 2001, quando em outro 11 de Setembro as torres gêmeas do World Trade Center vieram abaixo e o Pentágono viu-se sob ataque, os EUA puderam sentir na pele o gosto amargo de um ato terrorista genocida perpetrado por aqueles que os próprios Yankees haviam ajudado e armado, no fim dos anos 1970, contra os soviéticos. Ao invés de tentarem compreender as razões para o anti-americanismo visceral, tão disseminado nos países islâmicos e em muitos pontos da Ásia e da América Latina, os EUA lançaram sua nova Cruzada – a Guerra ao Terror. Ao invés de olharem para seu próprio passado como potência imperialista, em que os EUA realizou inúmeras agressões a outros países e feriu a autonomia e o direito de auto-determinação de outras nações, prosseguiram no caminho do militarismo autoritário que pretende “exportar Democracia” através da violência. Uma lógica semelhante àquela que levou as bombas atômicas a serem lançadas sobre o Japão, o veneno letal (napalm) a chover sobre a população civil do Vietnã e do Camboja, além do apoio militar e financeiro às Ditaduras Militares latino-americanas…

Mais de uma década após as invasões do Afeganistão e o Iraque, a política externa americana não só acarretou uma imensa mortandade no Oriente Médio, como também gerou a emergência do Estado Islâmico, uma espécie de nova encarnação do Islã militante e jihadista, hoje esparramado pela Síria e pelo Iraque. Barack Obama nos EUA e Stephen Harper no Canadá já estão preparando sua coalização de “intervenção humanitária” para salvar o mundo do Mal; vêm aí, é claro, novos genocídios e campanhas militares “anti-terroristas”, em que é de se esperar uma imensa tragédia humanitária no Oriente Médio. Não há sinal de que as elites imperiais pretendam parar de agir com a soberba sanguinária de quem se acha “Xerife do Mundo”.

E assim caminhamos, a passos largos, rumos a novas hecatombes e barbáries.

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Siga viagem:

“O Professor de Desejo”, de Philip Roth

Philip Roth

“O Professor de Desejo”, de Philip Roth
por Du Pitomba

Imagine um professor de universidade que, ao invés de passar as matérias exigidas maquinalmente para formar a grade daquele semestre, se coloca na mesma posição destas. Seus alunos não teriam mais de se sentir como pedintes ante disciplinas, como por exemplo desconstrucionismo ou estruturalismo, acabando por estudar as vísceras sentimentais daquele ser humano postado à frente da lousa. A leitura das obras seria coada pelo filtro dos vícios e virtudes do homem universal.

Philip Roth 5“O professor de Desejo” (1977), de Philip Roth, faz com que seu protagonista, David Kepesh, corte a sua própria fita como num ato público de inauguração, se oferecendo como patrimônio para aqueles jovens estudantes. É o romance que alonga o termo “aula presencial”. Kepesh é master class de si mesmo. Como a obra cobre a linha da vida da personagem principal, que vai da infância até as vésperas de iniciar seu plano de se transmutar num tubo de ensaios hormonal para os discentes, o leitor acaba tendo mais prazer que a classe fictícia. Roth sabiamente faz o livro em primeira pessoa para justamente ter o ganho do desnudamento maior e sem obstáculos.

O romance satírico do século XX (Céline, Nabokov, Saul Bellow), constrói suas personagens numa chave de vulgarização dos afetos, onde os gestos de reconciliação competem com frases de outdoor que emporcalham as cidades. O bicho homem metropolitano está sempre imprensado. O ancestral mais próximo deste tipo de literatura é aquele do folhetim mais enérgico da virada do século XVIII para o XIX. Na modalidade mais antiga você tinha fidalgos lascivos rindo de suas conquistas ao redor de lareiras, enquanto aqui, são profissionais da educação apatetados pelo breu dos poços artesianos da alma feminina.

Dentro dos autores de predileção de Kepesh, o russo Anton Tchekhov é a menina dos olhos para o material de sua especialização. Essa escolha é de suma importância para quebrar a casca de noz do livro. Nas peças e contos de Tchekhov existia de forma grave e sisuda a despedida de uma classe dirigente, e com isso, se debandava também, todo o baú de cavalheirismo dessa mesma classe. Tendo essa a noção exata do ultrajante. O professor é anabolizado pelas finíssimas renúncias da tapeçaria humana do escritor eslavo.

A reflexão solitária, que no fim do século XIX ainda podia mostrar seu rosto, foi substituída nos dias correntes na vida de Kepesh pelo esconde-esconde dos adultos modernos: a psicanálise. Incapaz de arredondar as formas de seu objeto de desejo, que dirá renunciá-lo. Esse homem e seus companheiros escafandristas de corredores universitários e albergues travestidos de bacanal, são torturadas criaturas que não conseguem fincar a bandeira de alpinista no vão dos seios de suas mulheres. Caminha com o volume do contista embaixo do braço e a imaturidade no coração.

Em dado momento o mestre literário sapeca frase bem pertinente, enxergando uma das fragilidades desse tempo: o prazer virou um dever. Esse mantra modernoso só pode dar mesmo em acelerador de frustrações. É o caso da grande cena da obra, a visitação de Helen, ex-mulher de David e agora esperando filho do atual parceiro, para depois saber, no mesmo dia, do aborto feito por Claire, seca namorada. Tudo isso numa casa de campo primaveril, com direito a infância de passarinhos e encrespação de olhares. O corte e costura é tchekhoviano, mas a histeria surda é de Philip Roth. Santo matrimônio.

Os instantes finais do livro, gestos e pensamentos que servem para desaguar na praia de nudismo mental de David, são pequenos jatos de luz vindos para socorrê-lo do emaranhado de infantilidades hormonais, o feirão de saldos das promessas sexuais. Sua coleção de aventuras parece dizer que, “fazer a América” não é mais regar o bom e velho empreendedorismo, e sim, tatuar nos neurônios, de cabo à rabo, todo o Kama Sutra. Por isso mesmo, o arremate tem um amargor terrível. Kepesh, já tendo abocanhado todo o inseticida comportamental do tempo corrente, acorda Claire para sua necessidade sexual, sabendo de sua inadequação para o afeto mais duradouro. Philip Roth inverte o termo psicanalítico. Esse é o momento tristeza pré-coito. Mais anticlímax impossível. Só que um anticlímax completamente bem-vindo. Se formos pensar na grande arte de Tchekhov, nada melhor que um choro abafado.

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“Eu vi o Futuro”, diz Naomi Klein, “e ele se parece com New Orleans depois do Furacão Katrina” (Leia: 5 lições para a Esquerda presentes em “This Changes Everything – Capitalism vs. The Climate”

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Noami Klein portrayed by Vogue: “Born in Montreal in 1970, Klein grew up the daughter of left-wing American parents who moved to Canada because of the Vietnam War and continued their progressive politics there: Her mother, Bonnie Sherr Klein, was part of Canada’s first feminist film studio, while her father, Michael Klein, M.D., built innovative public health centers.

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Over the last decade, Klein’s research trips—to Indonesia, Poland, Gaza, Sri Lanka, New Orleans after Katrina, et cetera—and her frequent public appearances have often kept her and Avi Lewis (her husband) in different places, many of which aren’t pleasant. Klein was reporting for Harper’s in Baghdad in 2004, for instance, when the occupation in Iraq descended into terrifying bloodshed. She says it’s the scariest place she’s ever been.

Coming soon: the film of This Changes Everything, a documentary aimed at people who won’t read her book. Both book and film strike a delicate balance between stoking the energizing fear of impending disaster (“I’ve seen the future,” Klein says, “and it looks like New Orleans after Hurricane Katrina”) and offering a glimpse of hope…” – VOGUE (Read it all here)

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5 Crucial Lessons for the Left From Naomi Klein’s New Book

You can’t fight climate change without fighting capitalism, argues Klein in This Changes Everything.

BY ETHAN COREY AND JESSICA CORBETT

DENIAL2In her previous books The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism (2007) and NO LOGO: No Space, No Choice, No Jobs (2000), Canadian author and activist Naomi Klein took on topics like neoliberal “shock therapy,” consumerism, globalization and “disaster capitalism,” extensively documenting the forces behind the dramatic rise in economic inequality and environmental degradation over the past 50 years. But in her new book, This Changes Everything: Capitalism vs. the Climate (due in stores September 16), Klein casts her gaze toward the future, arguing that the dangers of climate change demand radical action now to ward off catastrophe. She certainly isn’t alone in pointing out the urgency of the threat, but what sets Klein apart is her argument that it is capitalism—not carbon—that is at the root of climate change, inexorably driving us toward an environmental Armageddon in the pursuit of profit. This Changes Everything is well worth a read (or two) in full, but we’ve distilled some of its key points here.

1. Band-Aid solutions don’t work.

“Only mass social movements can save us now. Because we know where the current system, left unchecked, is headed.”

Much of the conversation surrounding climate change focuses on what Klein dismisses as “Band-Aid solutions”: profit-friendly fixes like whizz-bang technological innovations, cap-and-trade schemes and supposedly “clean” alternatives like natural gas. To Klein, such strategies are too little, too late. In her drawn-out critique of corporate involvement in climate change prevention, she demonstrates how profitable “solutions” put forward by many think-tanks (and their corporate backers) actually end up making the problem worse. For instance, Klein argues that carbon trading programs create perverse incentives, allowing manufacturers to produce more harmful greenhouse gases, just to be paid to reduce them. In the process, carbon trading schemes have helped corporations make billions—allowing them to directly profit off the degradation of the planet. Instead, Klein argues, we need to break free of market fundamentalism and implement long-term planning, strict regulation of business, more taxation, more government spending and reversals of privatization to return key infrastructure to public control.

2. We need to fix ourselves, not fix the world.

“The earth is not our prisoner, our patient, our machine, or, indeed, our monster. It is our entire world. And the solution to global warming is not to fix the world, it is to fix ourselves.”

Klein devotes a full chapter of the book to geoengineering: the field of research, championed by a niche group of scientists, funders and media figures, that aims to fight global warming by altering the earth itself—say, by covering deserts with reflective material to send sunlight back to space or even dimming the sun to decrease the amount of heat reaching the planet. However, politicians and much of the global public have raised environmental, health and ethical concerns regarding these proposed science experiments with the planet, and Klein warns of the unknown consequences of creating “a Frankenstein’s world,” with multiple countries launching projects simultaneously. Instead of restoring an environmental equilibrium, Klein argues these “techno-fixes” will only further upset the earth’s balance, each one creating a host of new problems, requiring an endless chain of further “fixes.” She writes, “The earth—our life support system—would itself be put on life support, hooked up to machines 24/7 to prevent it from going full-tilt monster on us.”

BP Oil Spill 2010

BP Oil Spill 2010

3. We can’t rely on “well-intentioned” corporate funding.

“A great many progressives have opted out of the climate change debate in part because they thought that the Big Green groups, flush with philanthropic dollars, had this issue covered. That, it turns out, was a grave mistake.”

Klein strongly critiques partnerships between corporations and major environmental groups, along with attempts by “green billionaires” such as Bill Gates and Virgin Group’s Richard Branson to use capitalism to fighting global warming. When capitalism itself is a principal cause of climate change, Klein argues, it doesn’t make sense to expect corporations and billionaires to put the planet before profit. For example, though the Gates Foundation funds many major environmental groups dedicated to combating climate change, as of December 2013, it had at least $1.2 billion invested in BP and ExxonMobil. In addition, when Big Greens become dependent on corporate funding, they start to push a corporate agenda. For instance, organizations such as the Nature Conservancy and the Environmental Defense Fund, which have taken millions of dollars from pro-fracking corporate funders, such as Shell, Chevron and JP Morgan, are pitching natural gas as a cleaner alternative to oil and coal.

4. We need divestment, and reinvestment.

“The main power of divestment is not that it financially harms Shell and Chevron in the short term but that it erodes the social license of fossil fuel companies and builds pressure on politicians to introduce across-the-board emission reductions.”

Critics of the carbon divestment movement often claim that divestment will have minimal impact on polluters’ bottom lines. But Klein argues that this line of reasoning misses the point, quoting Canadian divestment activist Cameron Fenton’s argument that “No one is thinking we’re going to bankrupt fossil fuel companies. But what we can do is bankrupt their reputations and take away their political power.” More importantly, divestment opens the door for reinvestment. A few million dollars out of the hands of ExxonMobil or BP frees up money that can now be spent developing green infrastructure or empowering communities to localize their economies. And some colleges, charities, pension funds and municipalities have already got the message: Klein reports that 13 U.S. colleges and universities, 25 North American cities, around 40 religious institutions and several major foundations have all made commitments to divest their endowments from fossil fuel stocks and bonds.

BP Oil Spill 2010

BP Oil Spill 2010

5. Confronting climate change is an opportunity to address other social, economic and political issues.

“When climate change deniers claim that global warming is a plot to redistribute wealth, it’s not (only) because they are paranoid. It’s also because they are paying attention.”

In The Shock Doctrine, Klein explained how corporations have exploited crises around the world for profit. In This Changes Everything, she argues that the climate change crisis can serve as a wake-up call for widespread democratic action. For instance, when a 2007 tornado destroyed most of Greensburg, Kansas, the town rejected top-down approaches to recovery in favor of community-based rebuilding efforts that increased democratic participation and created new, environmentally-friendly public buildings. Today, Greensburg is one of the greenest towns in the United States. To Klein, this example illustrates how people can use climate change to come together to build a greener society. It also can, and indeed must, spur a radical transformation of our economy: less consumption, less international trade (part of relocalizing our economies) and less private investment, and a lot more government spending to create the infrastructure we need for a green economy. “Implicit in all of this,” Klein writes, “is a great deal more redistribution, so that more of us can live comfortably within the planet’s capacity.”

Reblogged from In These Times

Watch below Naomi at the Peoples Social Forum (Ottawa, 2014)

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Leia também:

Bertolt Brecht (1898 – 1956), “Mãe Coragem e Seus Filhos” [Notas de Leitura, Parte 1]

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“…a pearl on the pathway of war she was,
And a pearl all genuine, too.
Though sometimes laughable she might be,
More oft was honor her due.”

A song by Runenberg, Lotta Svärd
(From “Songs of Ensign Stal”, 
New York, G.E. Stechert, 1925)

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I. AS MÃES E AS GUERRAS

Ela está decidida a não atirar suas pérolas aos porcos. Ou melhor: esta mãe bate o pé e diz não ao Poder: não vai permitir, sem resistência e sem luta, que seus filhos lhe sejam sequestrados, tragados para a guerra, roubados do ninho para virar carne moída! Infelizmente, as guerras às vezes são mais fortes que as vontades das mães. Para citar um exemplo da atualidade: aprenderam isso, através de amargas experiências, as mães de Gaza, aquelas que sobreviveram a seus maridos, aquelas que enterraram muitos de seus filhos, aquelas que são estraçalhadas pelo trauma quando ocorre uma dessas tragédias que entra nas estatísticas oficiais do Sionismo Imperial na categoria de “efeitos colaterais” na guerra santa contra a jihad islâmica… Às vezes mães são impotentes para impedir a carniceria que lhes transforma os filhos em cannon fodder (carne de canhão), para desgraça de todos.

Mãe Coragem é uma pacifista por uma razão bem simples, bem menos refletida e teoricamente refinada do que as doutrinas de um Mahatma Gandhi ou de um Martin Luther King: seu pacifismo de mãe nasce mais das vísceras do que do intelecto. Ela odeia a guerra pois não quer ver seus filhos sendo assassinados nela. Mas o que ela pode fazer contra a mega-maquinaria bélica? Os tempos são terríveis: ela olha ao seu redor e quase todo mundo está só “pele e ossos”; a fome é imensa, disseminada, sem misericórdia. Para dar uma noção dessa pobreza, poderíamos dizer que se assemelha àquela de Carlitos, que decide-se a assar e comer sua própria bota em uma das cenas imortais de Charlie Chaplin em The Gold Rush. No primeiro ato, cena 2, Mãe Coragem declara sobre as pessoas ao seu redor: “elas estão tão esfomeados que arrancam raízes da terra para comer. Eu poderia ferver um cinto-de-couro e faria com que suas bocas salivassem.” (pg. 35)

Carlitos janta as próprias botas em "A Corrida do Ouro" (The Gold Rush), clássico do cinema mudo.

Carlitos janta as próprias botas em “A Corrida do Ouro” (The Gold Rush), clássico do cinema mudo.

Esta feminista espontânea (que não precisou de Judith Butler ou Beatriz Preciado ou Pussy Riot para perceber os males que faz a elefantíase de testosterona nos neurônios e nas socieades…) até tenta rebelar-se contra o Patriarcado e sua mania de belicismo. Mas seu poder é pouco, como foi pouco o poder somado de todas as mães de Guernica, de todas as mães de Nagasaki, de todas as mães de Gaza, e assim por diante… Mãe Coragem não é uma pacifista de academia, uma pacifista de cátedra, uma pacifista de discursinhos na ONU. Ela é uma pacifista de sangue quente, sem rede de proteção enquanto dança sobre o fio estendido sobre o abismo, um pouco como o tight-rope dancer de Assim Falou Zaratustra, que fez do perigo sua vocação. Mãe Coragem talvez preferisse uma vida tranquila, sem preocupações, mas calhou de nascer em tempos perigosos. Não pediu nem escolheu, mas a guerra a rodeia com sua fúria e sua insanidade, obrigando-a a lidar com as potências mortíferas com um rebolado improvisado, na urgência da prática cotidiana, em tempos terríveis de fome e morticínio.

Albert Camus chamou um de seus melhores livros  L’Homme Revolté (O Homem Revoltado), e uma das poucas falhas de livro tão magistral é sugerir em seu título que a revolta é coisa exclusivamente masculina. Mas é claro que há uma revolta feminina – Emma Goldman, Simone Weil ou Arundhati Roy exemplificam-na bem… – que é digníssima de nossa atenção (e até de nossa admiração!). Mãe Coragem é também uma dessas rebeldes-de-saia, mas de uma rebeldia que parece irradiar de seu útero: em intensa angústia materna, ela suspeita que a guerra irá privá-la de seus rebentos, provavelmente arrebatá-los pra sempre. Ela se levanta em resistência ao draft militar, logo na primeira cena, interpondo-se entre o Exército e seus filhos como se defendesse a prole, no ninho, contra um abutre predador.

O mais desesperador desta cena é que o leitor ou espectador percebe que Mãe Coragem é apenas uma frágil tocha de feminilidade em um oceano de macheza. É uma voz solitária clamando pela paz em meio ao barulho ensurdecedor dos tambores de guerra, das explosões de bombas e do ribombar das balas cuspidas pelos rifles. Os próprios filhos acabam “fisgados” pela ideologia do militarismo, começam a convencer-se de que a guerra não irá matá-los, que eles vão dar um jeito de escapar, que vão acabar sendo aureolados com renome glorioso. A epidemia da peste bélica se esparrama pois muitos se deixam fisgar pela isca da Glória dos feitos militares, fazem poses de heróis por antecipação enquanto caminham para as batalhas urrando: “é preciso bem mais do que uma guerra para me assustar!”

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Em Nascido Para Matar (Full Metal Jacket), Stanley Kubrick escancarou o quanto o militarismo está conectado com um comportamento machistóide: os soldados do exército dos EUA, que estão sendo preparados para suas missões no Vietnã, marcham sob o comando feroz da disciplina do comandante, berrando obscenidades com voz grossa; cotidianamente, são humilhados e judiados, inclusive com socos no saco e outras delicadezas, para que fiquem muito homens, ou seja, que percam suas compaixões feminis, suas tendências “maricas” à empatia.

O resultado desse processo de condicionamento e lavagem cerebral, que Kubrick narra na primeira parte do filme – aquela que encerra-se com o soldado suicida que explode seus miolos no banheiro – é só isso mesmo: miolos estourados, sangue jorrando, e mães que chorarão torrentes ao receberem do governo os caixões de seus filhos, envolvidos pela bandeira da pátria, junto com uma carta de condolências assinada pelo Ministro da Guerra.

Em muitos campos de batalha através da história já largaram seus defuntos, para serem comidos por aves-de-rapina, inumeráveis desses “heróis” tão “corajosos” que se cadastram e se alistam e marcham obedientes para a guerra. Às vezes quem se acha corajoso está, de olhos vendados, correndo para um túmulo precoce, desperdiçando a vida em uma contenda desnecessária, que não precisaria ser resolvida na violência etc. É uma das características mais bizarras da criatura humana: muitas vezes, as pessoas escolhem uma morte precoce mas que acreditam ornada de valor e significado, a uma vida prolongada mas sem nenhum heroísmo. É o que daria para chamar de O Complexo de Aquiles.

Em sua leitura sobre o filme em The Pervert’s Guide to Ideology, documentário de Sophie Fiennes, Slavoj Zizek destaca bem o quanto de sadismo que está presente nestes rituais militares, onde se leva até o delírio a idéia de que a masculinidade é um valor inestimável, e que é possível prová-la nos campos de batalha, através de atos de bravura e temeridade, aos quais se prometem a recompensa de troféus, reputações gloriosas, quiçá até gordos cheque-de-pagamento ou permissões para a pilhagem. O que une a Guerra de Tróia e a Guerra do Vietnã, apesar de suas diferenças, do abismo de tempo que as separa, é uma mentalidade que subjaz e justifica a guerra, propagandeada e vendida como caminho para a glória. Idéia de macho – e, se me perguntarem, direi também: idéia de jerico. Idéia retardada. Idéia de quem pensa com os testículos. Idéia das mais destrutivas que a humanidade já teve a infelicidade de parir e disseminar.

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Meryl Streep as the title character in The Public Theater 2006 production of "Mother Courage and Her Children", as featured in John Walter's documentary THEATER OF WAR.  Photo credit: The Public Theater / Michael Daniel.

Meryl Streep como personagem principal de “Mãe Coragem e Seus Filhos”, em  espetáculo de 2006, filmado em documentário por John Walter em THEATER OF WAR. Photo credit: The Public Theater / Michael Daniel.

A mãe, na peça de Brecht, percebe a insanidade do Patriarcado Briguento, que a rodeia com a força de um monstro, faminto por filhos. Infelizmente, ela é só uma mulher, que precisar sobreviver em tempos de crise, vender suas mercadorias para que não passe fome, e não tem os meios para revolucionar uma instituição social, muito menos uma civilização.

O filho mais velho de Mãe Coragem, Eilif, é-lhe roubado no meio-da-rua pelos senhores da guerra. Mãe e filho só vão se encontrar novamente dois anos depois. Dois anos em que Eilif não cessa de ouvir o comandante do exército berrar em sua orelha: “ó feliz guerreiro, você está participando de algo heróico, está servindo ao Senhor em uma Guerra Sagrada, e vai ganhar um bracelete de ouro quando nós tomarmos a cidade do inimigo!” (Cena II, p. 35) Promessas, não mais que promessas: a realidade é a fome, uma fome tamanha que os bifes que restam já fedem de putrefação, como se a vaca tivesse morrido há um ano, apesar do cozinheiro do exército mentir: “Que nada! Este bife aqui só tem um dia de idade, ontem mesmo era uma vaca que vi andando por aí.” Ao que Mãe Coragem, que não é desprovida de pontiagudo sarcasmo, responde: “Então essa vaca deve ter começado a feder antes mesmo de morrer.”

A guerra faz com que a atmosfera fique saturada com o fedor da putrefação. Eis um “argumento” fortíssimo que Mãe Coragem tem para seu pacifismo: além de irradiar do útero, de nascer de sua angústia materna, de seu amor umbilical aos filhos, seu pacifismo visceral é também uma reação das narinas, uma recusa em permitir que o cheiro da morte seja mais forte que o aroma das flores.

Mãe coragem “rebola”, dribla, insubordina-se, tenta escapar do jogo que lhe é imposto pelo poder, um pouco como uma personagem de Kafka, tentando se debater pra se libertar de uma opressão social sentida como tenebrosa. Em Brecht, porém, há muito mais humor do que em Kafka. Uma profusão de situações cômicas, que explodem com sua graça dionisíaca no ambinte dark desta peça-bélica, iluminam o construto Brechtiano com uma poesia cálida: é como se fosse possível ouvir o canto de um poeta lírico, entoando um hino em louvor ao Feminino em Mãe Coragem encarnado.

Mãe Coragem, a peça de Brecht, é um retrato da guerra como esta é vivenciada por uma mãe que tem seus filhos dela “arrancados” por uma pavorosa maquinaria, de criação e gestão masculina, que aniquila vidas humanas em contendas sangrentas, mortíferas, insanas. Ela, porém, não pode se dar ao luxo de virar uma pacifista com carteirinha de ONG, com direito à guarda-costas e carro-blindado: Mãe Coragem é pobre, desprovida, vulnerável, presa à urgência de sobreviver.

Em meio à guerra, ela tenta ser uma comerciante, com leros mercantis de convencimento: ela seduz como pode para que os outros comprem seus pães, que se interessem pela carne que carrega em sua carroça, que serve de loja itinerante e casa ambulante ao mesmo tempo. Como uma tartaruga, que carrega sua casa no próprio lombo, podendo adentrar em seu casco para puxar um ronco em qualquer lugar que aprecie, Mãe Coragem carrega “tudo o que tem no mundo” em sua carroça – todos os seus filhos, todos os seus bens, todas as mercadorias que possui para mercadejar e perseverar viva, com a prole a são e salvo.

A carroça, é evidente, é lerda como uma tartaruga. Estamos ainda no século 17, em 1624, na Suécia. Imaginem um mood similar ao das peças nórdicas de Shakespeare – Hamlet, por exemplo. Uma personagem como Mãe Coragem, aliás, parece-me ter uma estatura trágica, assemelha-se a uma figura tal como Clitemnestra, a mãe de Ifigênia, sacrificada pelo próprio pai Agamênon.

Euripides

Na peça de Eurípides, Clitemnestra é um pouco como a Mãe Coragem de Brecht: ambas são incapazes de impedir que a Máquina de Guerra – Masculina e Prepotente – arranque de seus braços os filhos, para devorá-los. No caso da mãe de Ifigênia, o delírio de dor e luto irá transformar-se em intento vingativo: em outra peça, o Agamenon de Ésquilo (publicado no Brasil pela Zahar como parte da trilogia Oréstia), Clitemnestra dá o contra-golpe contra seu tão odiado esposo, assassino da própria filha. Ao retornar cheio de poses de glória, celebrando-se todo Narcisinho como heróico vencedor, após a década de carniceria em Tróia (narrada em minúcias por Homero na Ilíada), Agamênon encontra seu karma: é retalhado como um bode expiatório e morre horrendamente nas mãos de Clitemnestra e Egisto  enquanto celebrava seus “feitos” bélicos…

A peça de Brecht também lida com crimes graves, mas sem que estes sejam inter-familiares. Mãe Coragem passa por traumas-de-mãe semelhantes ao de Clitemnestra, e ambas tem um inimigo em comum, o militarismo, a ideologia que faz propaganda em prol da guerra, este jogo fatal inventado pelos homens em seus ímpetos incontroláveis de agressão e domínio… Mãe Coragem implora aos próprios filhos: não caiam nesta armadilha, não se deixem enganar pelo lero dos Senhores da Guerra, usem a cabeça e recusem-se a ir ao morticínio! No entanto, ela sabe do poder, devastador, invasivo, da “ideologia”: os soldados, os generais, não param de tentar convencer as crianças e os adolescentes que a glória está lá para ser colhida na guerra, e que quem se recusa a ela é um maricas, um efeminado que merece uma sova, alguém que tem o defeito de “não ser macho o suficiente”.

Como comerciante, Mãe Coragem é muito desconfiada: ela morde as moedas que recebe, pra checar com os dentes se são legítimas; já lhe passaram a perna algumas vezes no passado, e ela foi ficando esperta. Está bem claro que ela está acostumada a muita pilantragem rolando no comércio, mas o que pode fazer? Seu meio de vida é este e ela prossegue nele, mesmo em meio à guerra, mesmo durante o terrível processo de sentir os filhos escorregando por entre seus dedos, como grãos de areia, sugados pelo monstro feroz da belicosidade máscula.

A jornada de Mãe Coragem em tempos de guerra multiplica-lhe as amarguras: ela não tem só seus rebentos roubados pela guerra, ela vê em ação um “mecanismo ideológico” que transforma seus filhos homens em assassinos. Não é só a amargura terrível de temer que o filho morra na guerra, mas a amargura suplementar de saber que o filho pode matar outros na guerra. As mães não costumam gostar quando seus rebentos tem como profissão matar filhos de outras mães. Algo de crucial se diz na peça de Brecht não somente sobre esta guerra e esta mãe em particular, mas sobre guerras e mães em geral: aquilo que se elogia como virtude – “coragem” – e aquilo que se promete como recompensa – “glória” – talvez sejam embustes, falsificações grotescas.

Mãe Coragem adoraria se seus filhos fossem covardes vivos ao invés de corajosos mortos. Ela acha que aquilo que os militares consideram como covardia e coisa de maricas é na verdade bom senso e sabedoria prática. Mãe Coragem é a voz da cautela, da defesa da vida, que tenta convencer aqueles a seu redor de que somos preciosos demais para nos tratarmos como açougueiros fazem nos matadouros de porcos. Só os másculos militares e seus cérebro-de-titica, que pensam com os testículos e estão inebriados por excesso de testosterona (em Grego, se não me engano, isso chama-se húbris), acreditam na conjunção entre matanças sádicas e gloriosas recompensas. A Mãe Coragem, não: em sua dor de mãe amputada, ela mantêm-se como ilha luminosa de lucidez em um oceano de cega brutalidade.

Esqueci de mencionar: no tempo presente da peça, a Mãe Coragem cria sozinha seus filhos pois o Pai Coragem morreu na guerra há um tempão. Agora os Filhos Coragem também seguem pelo mesmo caminho, sugados pelo mesmo fatal magnetismo como se fosse um buraco negro. A mãe tentou educá-los, é claro, inclusive com canções – mas infelizmente as canções às vezes não são tão fortes quanto o barulho das bombas (mesmo John Lennon não foi ouvido quando imaginou, quando pediu “Give Peace a Chance”). Eilif, o filho mais velho da Mãe Coragem, sabe de cor a cantiga ensinada pela mãe, e ainda assim age muito mais como o soldado que, na canção, não presta atenção à Sábia Mulher e caminha correndo para o próprio túmulo:

THE SONG OF THE WISE WOMAN AND THE SOLDIER

“A shotgun will shoot and a jackknife will knife,
If you wade in the water, it will drown you,
Keep away from the ice, if you want my advice,
Said the wise woman to the soldier.

But that young soldier, he loaded his gun,
And he reached for his knife, and he started to run:
For marching never could hurt him!
From the north to the south, he will march through the land
With his knife at his side and is gun in his hand:
That’s what the soldiers told the wise woman.

Woe to him who defies the advice of the wise!
If you wade in the water, it will drown you!…
But that young soldier, his knife at his side
And his gun in his hand, he steps into the tide:
For water never could hurt him!

The wise woman spoke: you will vanish like smoke
Leaving nothing but cold air behind you!
And the lad who defied the wise woman’s advice,
When the new moon shone, floated down with the ice:
He waded in the water and it drowned him.

The wise woman spoke, and they vanished like smoke,
And their glorious deeds did not warm us.
Your glorious deeds do not warm us!”

BERTOLT BRECHT.  Mother Courage and Her Children.
English version by Eric Bentley. New York: Grove Press, 1966.

* * * * *

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* Curtis Cate – FRIEDRICH NIETZSCHE (Overlook, 2005). — ePUB

* Sander L. Gilman (ed.) – CONVERSATIONS WITH NIETZSCHE: A Life in the Words of His Contemporaries (Oxford University Press, 1987). Translated by David J. Parent. — PDF

* R. J. Hollingdale – NIETZSCHE: The Man and His Philosophy (Cambridge University Press, 1999). Revised Edition. — ePUB

* Walter Kaufmann – NIETZSCHE: Philosopher, Psychologist, Antichrist (Princeton University Press, 1974). Fourth Edition. — PDF

* Rüdiger Safranski – NIETZSCHE: A PHILOSOPHICAL BIOGRAPHY (Granta, 2002). Translated by Shelley Frisch. — PDF

* Julian Young – FRIEDRICH NIETZSCHE: A PHILOSOPHICAL BIOGRAPHY (Cambridge University Press, 2010). — PDF

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Flight from Death – The Quest for Immortality [Full Documentary]

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Considero Ernest Becker – vencedor do prêmio Pulitzer de 1974 por “A Negação da Morte: Uma Abordagem Psicológica da Finitude Humana” – um dos mais profundos pensadores do século 20. A abordagem multidisciplinar de Becker, que une Psicologia, Antropologia, Filosofia, Sociologia e Crítica Cultural, permitiu que ele compreendesse a condição humana com uma extraordinária amplidão de visão. Grande leitor e comentador de Freud e Otto Rank, dos existencialistas e de Kierkegaard, de Huizinga e Norman O. Brown, dentre muitos outros autores com o qual dialoga, Ernest Becker foi um brilhante e inovador “sintetizador” do problema antiquíssimo e sempre atual da Mortalidade.

O filme “Flight From Death”, que A Casa de Vidro aqui compartilha na íntegra, é o primeiro documentário calcado na obra de Ernest Becker – e é uma excelente porta-de-entrada para os grandes temas explorados nos livros de Becker. Narrado por Gabriel Byrne e com declarações contundentes de figuras como Sam Keen, Robert Jay Lifton e Irvin Yalom, o filme é uma excelente exploração de como as mais variadas culturas inventam meios para lidar com a finitude da existência humana – e quais são as consequências disso para as relações interpessoais e interculturais.

Uma das idéias-chave do pensamento de Ernest Becker é a de que só compreenderemos a Humanidade, inclusive em suas manifestações mais horrendas (guerras, massacres e arroubos cotidianos de agressividade), quando entendermos nossa relação com o fato incontornável de nossa mortalidade, tão denegada, renegada, sublimada e mal-compreendida. A prática da negação da morte, por exemplo, que Becker descreve como uma denegação tanto psíquica quanto cultural, como prática não só individual mas coletiva, é essencial para a nossa compreensão de nós mesmos e de nossas coletividades. Doutrinas destinadas a confortar-nos com a ideia da imortalidade estão presentes nas mais variadas culturas e atravessam a história desde os tempos mais arcaicos até a contemporaneidade – e a obra de Becker procura avaliar as consequências destas crenças e destes sistemas culturais, em especial quando entram em choque. Afinal de contas, a negação-da-morte tem várias facetas (uma cultura vizinha nega a morte de modo diferente do que a minha própria cultura, assim como em tempos passados vigiam outros tipos de ideologias de negação da morte…) e quase sempre há “clashs” sangrentos entre diferentes sistemas-culturais denegadores-da-mortalidade.

Enfim, é um excelente filme! Baseado na obra de um pensador que considero muito subestimado, e que está entre os meus psicólogos e filósofos prediletos,um grande desvendador da condição humana e que merece ser muito mais lido, Ernest Becker (1924-1974). A contribuição dele é imensa, em especial a análise de nossa tendência psíquica de fingirmos que somos imortais, agarrando-nos a doutrinas negadoras-da-morte oferecidas no supermercado das culturas; a problemática da fé religiosa é compreendida a partir dos desejos psíquicos que ela satisfaz – mas penso que Becker vai muito além de Freud em “O Futuro de Uma Ilusão” e tem um pensamento até mais multi-facetado do que o do Pai da Psicanálise.

Deixem-se provocar e refletir por este documentário crucial, que explora as idéias magistrais de Ernest Becker sobre a agressividade humana, o choque de civilizações, a repressão da consciência da mortalidade e suas consequências (tanto individuais quanto coletivas), entre outros temas suculentos, desmascarados sem medo por um filme corajoso e provocativo.

Ótimo para antropólogos, sociólogos, filósofos, psicólogos e quem quer que se interesse por compreender a condição humana e porque ela é tão lotada de “som e fúria”.

Coloquei o vídeo inteiro no Vimeo em 3 partes, saquem aí (em inglês, sem legendas):

* * * *

“Patrick Shen’s award-winning “Flight From Death: The Quest for Immortality” is a provocative study of “death denial” in cultures around the world. It draws upon the expertise of scholars, theologians and philosophers to examine how human behavior is influenced by the universal fear of death, especially in a post-9/11 climate of terrorism. It’s a stimulating, ultimately life-affirming film, filled with big ideas and revelatory footage.” -Seattle Times

Gabriel Byrne“Narrated by Golden Globe Winner Gabriel Byrne (Usual Suspects, HBO’s In Treatment, Miller’s Crossing), this 7-time Best Documentary award-winning film is the most comprehensive and mind-blowing investigation of humankind’s relationship with death ever captured on film. Hailed by many viewers as a “life-transformational film,” Flight from Death uncovers death anxiety as a possible root cause of many of our behaviors on a psychological, spiritual, and cultural level.

the-denial-of-death-e9b699lFollowing the work of the late cultural anthropologist, Ernest Becker, and his Pulitzer Prize-winning book Denial of Death, this documentary explores the ongoing research of a group of social psychologists that may forever change the way we look at ourselves and the world. Over the last twenty-five years, this team of researchers has conducted over 300 laboratory studies, which substantiate Becker’s claim that death anxiety is a primary motivator of human behavior, specifically aggression and violence.

Flight from Death features an all-star cast of scholars, authors, philosophers, and researchers including Sam Keen, Robert Jay Lifton, Irvin Yalom, and Sheldon Solomon culminating in a film that is “not only thought-provoking but also entertaining and put together with a lot of class” (Eric Campos, Film Threat). Three years in the making and beautifully photographed in eight different countries, Flight from Death is “a stimulating, ultimately life-affirming film, filled with big ideas and revelatory footage” (Jeff Shannon, Seattle Times).”

dOC

P.S. A LINK TO ALL HOT DOCS PREVIOUSLY POSTED ON AWESTRUCK WANDERER CAN BE FOUND ON TOP OF THE BLOG, ABOVE THE COLLAGE OF HUMAN FACES. CHECK IT OUT!

21 ÁLBUNS ESSENCIAIS DA MÚSICA BRASILEIRA NO SÉCULO 21

Dentre muitos outros mais!
Sugiram nos comentários os favoritos de vcs,
que entrarão em um próximo post, “A Escolha do Leitor” (em breve!)